» Nossa história

 A Colonização:

O Monsenhor Agenor Neves Marques descreve em seu livro "Imigração Italiana", que "quem contempla junto ao leito da estrada de ferro Tereza Cristina duas longas filas de vagões, uma com o dorso enegrecido de pedras escuras e outra, igualmente interminável, com o dorso esbranquiçado e pedras luzidias, adivinha logo que a primeira vem de Criciúma, a capital do carvão, e a segunda de Morro da Fumaça, a capital da fluorita".

Para contar a história de Morro da Fumaça é preciso voltar ao ano de 1900. Ano em que se encontravam apenas índios e mata, até que algumas famílias aqui chegaram, fugindo da crise na Europa.

Muitos italianos estavam se instalando no sul do Brasil, local que acharam ideal para cultivar suas lavouras e criar seus animais. Enfim, o lugar propício para viverem com suas famílias. O governo da época garantia a subsistência dos imigrantes até a colheita da primeira lavoura. Os italianos que aqui viviam eram privilegiados pelo Governo Imperial, que lhes pagava a viagem.

Na época o governo ainda vendia terras a preços baixos, sendo que estes valores podiam ser parcelados e pagos com a produção. Os novos moradores do sul ainda recebiam os instrumentos necessários para cultivar as suas terras, por ser a Imperatriz Tereza Cristina*, esposa do Rei Dom Pedro II e contemporânea dos italianos. Mas não foram os italianos os primeiros a pisarem nas terras que, anteriormente, eram habitadas pelos Carijós*.

Famílias vindas da Bielo-Rússia aqui se instalaram, construindo casas e igrejas. Anos mais tarde os Russos deixaram as terras para tentar a sorte em cidades como Braço do Norte e Jaguaruna. Para isso os imigrantes vindos da Rússia venderam suas terras para os italianos. Em 29 de junho de 1910, o casal José Cechinel e Hermínia Sóligo Cechinel vieram da colônia Aciolli de Vasconcellos, onde hoje está Cocal do Sul, para a futura cidade de Morro da Fumaça. Ali, construíram a sua residência em um terreno adquirido de Antonio Miranda, morador da ex-Colônia Azambuja, pelo valor de 1:200.000rs (Um conto e duzentos mil réis)

Influenciados por José Cechinel, também seguiram o mesmo caminho, José Guglielmi e Esperança Sartor Guglielmi. A partir daí, muitos imigrantes italianos vieram de localidades como Rio América, Rio Carvão e Rio Galo. Entre essas famílias, pode-se destacar: Margotti, Maccari, Sartor, Pagnan, De Costa, Bortolatto, Frasson, Pellegrin, Serafim e outras.

As versões para o nome

Na época a região necessitava exportar o carvão mineral extraído na cidade vizinha, assim os italianos abriram uma estrada que ligava Criciúma a Pontão, por onde o carvão era transportado. Para isso formaram-se duas turmas de trabalho, uma localizada na elevação sul (Morro da Fumaça) e outra no Morro do Machado (Santa Apolonônia, município de Sangão-SC) .

Quando os homens deste último se referiam a outra turma, o faziam denominando o local como Morro da Fumaça, por ser uma colina geralmente coberta de cerração, formada por uma grande área alagadiça.

Uma outra versão diz que os carreteiros que vinham de Criciúma transportando banha, mantimentos e carvão para serem entregues no porto paravam no morro, onde hoje é o Hospital de Caridade São Roque, para dormir. Estes carreteiros faziam fogueiras, gerando assim muita fumaça, originando assim o nome MORRO DA FUMAÇA.

Na época a estrada por onde os carreteiros passavam era conhecida como "famoso pique Dom Pedro II", atual Rua Eugênio Pagnan no centro de Morro da Fumaça.

 

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COMO ERA AQUI NO CENTRO DE MORRO DA FUMAÇA

Quase só capoeira. Quando nos chegamos aqui em 1915, só havia uma estradinha como se fosse uma picada, onde hoje é a Avenida principal de Morro da Fumaça (Atual Rua 20 de Maio). Por esta picada passavam centenas de carros de bois trazendo carvão de Criciuma. Ai onde está a prefeitura e a estrada de ferro era um banhadal fundo, onde os carros de bois com carvão atolavam diariamente. Eu tinha três a quatro anos, mas recordo de tudo. Quando um carro de carvão atolava todos os carreteiros ajudavam a descarregar toda a carga e depois recarregar. Era uma epopéia cotidiana. Esse carvão ia até o porto de lanchas do Pontão, pouco aquem da Jaguaruna e seguia para Laguna, seguia pelo Rio.

         Fonte: Livro de Claudino Biff, Padre, MORRO DA FUMAÇA E SUA HUMANA E DIVINA COMÉDIA, em entrevista com Teodoro Maccari, em 18-11-1988 - Página 62

 

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De Vila a Distrito

Conforme Decreto do interventor Federal do Estado de Santa Catarina, número 106 de 23/04/1931, modificado pelo decreto número 137 de 19/06/1931 e por ordem telegráfica, instalou-se o Distrito de Morro da Fumaça, no dia 06/09/1931. Na época tomaram posse:

Juiz de Paz: Eugênio Pagnan
Escrivão de Paz Interino: Jorge Cechinel
Intendente Distrital: Francisco Rodrigues Junior
Subdelegado de Polícia: José Guollo
Agente Postal: Pedro Frasson
Em 1936 o distrito elegeu o primeiro Vereador, José "Bépi" Guglielmi, pelo Partido Liberal Catarinense, começando aí a influência na política.

De Distrito a Município

Era o ano de 1962. Haviam se passado 31 anos que Morro da Fumaça tornara-se Distrito.  Foi nesse ano, no dia 24/02/1962, que o Vereador Iwaldo Luciano, representante do Distrito na Câmara de Vereadores de Urussanga, apresentou o Projeto de Lei nº69 de emancipação de Morro da Fumaça. O projeto foi homologado pela Lei número 01/62 e publicado no Diário Oficial da Assembléia Legislativa em 27/04/1962, pela Lei número 816, datada de 30/03/62, de autoria do Deputado Estadual Waldemar Salles sancionada pelo então Governador do Estado de Santa Catarina o Senhor CELSO RAMOS.

Assim no dia 20 de maio de 1962, Morro da Fumaça emancipou-se político-administrativamente. Como município, Morro da Fumaça teve como primeiro prefeito, Auzílio Frasson, nomeado pelo Governador Celso Ramos. Em 30 de janeiro de 1963, Jorge Silva assume o governo municipal como o primeiro prefeito de Morro da Fumaça a ser eleito pelo voto direto.

 Padre Claudino Biff descreve Morro da Fumaça da seguinte forma em seu livro “Morro da Fumaça e sua Divina e Humana Comédia”:

Morro da Fumaça é uma pátria!

Morro da Fumaça é um morro!

O cavaleiro de uma fértil planície de sedimentação argilosa, vital para a vida de meu burgo. O Egito, diz Herodoto, é o Dom do Nilo. A argila é o Dom de Morro da Fumaça. Cavamos o barro em Morro da Fumaça e construímos casas e Igrejas no Rio Grande do Sul. O nosso barro ergue cadetrais.

A planície de hoje, há mil anos era um imenso lago, rico em fauna e flora, varado a canoa pelos índios Carijós. O lago se evadiu, restou um deserto arenoso, cujo branco se funda a quase dez metros. Hoje mandam a argila e o tijolo. Depois será de futuro, a areia, que se cava sem queimar lenha e carvão.

No ano de 2040, o antigo lago vai voltar. Criar-se-ão camarões e peixes. O povo vai se divertir, pescando.E Morro da Fumaça vai vender água para Criciúma e Tubarão.Essa é a utopia de Morro da Fumaça.Três rios, Urussanga, Cocal e Linha Torrens, fundaram a nossa geografia. A eles se deve a nossa face terrena.Gregório Espíndola, com mais de 90 anos disse que fisgava robalos e bagres de 12 quilos que, para desovar, iam de São Pedro, em Urussanga.

Foram os nossos três rios que nos deram toda a argila para as nossas cerâmicas.Morro da Fumaça eram três mil hectares de mata virgem. Os insumos mortais e mortíferos das minas de carvão de Urussanga mataram o peixe, os pássaros, os animais selvagens, os ipês e as orquídeas.

Eu vi a morte dos meus rios.Milhões de peixes morreram.O mais santo dos blasfemadores de Morro da Fumaça era o negro Manoel Italiano. Só falava em italiano. Ao ver o rio passar morrendo, cuspiu de raiva e disse. “Per La Madonna, maledetti quelli Che comparon infiume”. “Pela senhora, malditos os que mataram o rio”.No terceiro milênio os bagres e os robalos ainda vão namorar no Rio Urussanga...O mais famoso dos rios de chama Linha Torrens... Era ele largo como o passo de meu cavalo Mouro. Que Deus o tenha!Os pobres não matam os rios.

Eles sabem que os rios são filhos de Deus.Morro da Fumaça é presente dos Rios Urssanga e Cocal. E os mataram... Os índios, São Roque e São Francisco nunca matariam os nossos rios...O meu rio está morrendo.

E os meninos de minha terra, numa boa, cantando rock and roll.

 

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História Religiosa em Morro da Fumaça

Pelos idos de 1910, chegaram os primeiros imigrantes a Morro da Fumaça. Eram todos italianos ou seus descendentes. Ali chegados, encontraram várias famílias de russos de origem alemã, expulsos da Bielo-Rússia. Eram adventistas que guardavam o sábado. Gente piedosa e boa, mas sem a mínima assistência por parte de seus pastores. Línguas e religiões diferentes fizeram com que eles partissem para outras terras.

O cemitério adventista estava plantado à pouca distancia da capela de Linha Torrens. Bortolo Bif comprou suas terras, suas casas e a Igreja de madeira que lhes servia de lugar de oração. Bortolo Bif monta seu cavalo e demanda a Florianópolis e aí solicita uma audiência a Dom João Becker. Dele recebe licença de rezar numa igreja adventista. O Senhor Bispo aconselhou que o vigário de Cocal, Padre Francisco Chylinski, benzesse a dita igreja e a colocasse para o uso dos católicos. Por muitos anos esta foi a Igreja de Morro da Fumaça.Depois a sede de Morro da Fumaça começou a se povoar.

O povo houve por bem fazer uma Igreja maior, para atender às necessidades religiosas. Sentindo-se maior, esse povo de Morro da Fumaça organizou mais de dez comissões que se deslocavam para Florianópolis, para solicitar de Dom Joaquim Domingues de Oliveira a criação da Paróquia de Morro da Fumaça. Antes que a comitiva chegasse ao Paço Episcopal, o vigário de Cocal, Cônego João Dominoni já convencera o Senhor Arcebispo de não fazer de Morro da Fumaça uma Paróquia.

Quando se prenunciava a criação da Diocese de Tubarão, Dom Joaquim fez sua última visita a Morro da Fumaça. E o nome do padre para a cidade ficou nos arcanos de Florianópolis. Como no final da visita, o Arcebispo não declarou Morro da Fumaça Paróquia, o povo começou a gritar: “Queremos Padre, queremos Padre!” O Arcebispo não gostou do protesto e rebateu: “Não admito desaforo de italiano topetudo”. Ao que respondeu o patriarca José "Bépi" Guglielmi: “O Senhor É topetudo em Florianopolis. Mas quem manda em Morro da Fumaça é José "Bépi" Gugliemi”.

A Paróquia de Morro da Fumaça foi fundada por Dom Anselmo Pietrulla no dia 12/01/1958. Surgiu do desmembramento da Paróquia da Natividade de Nossa Senhora de Cocal do Sul.  O primeiro vigário era um austríaco. “Padre Francisco Korner, fundador de uma Congregação de freiras ditas do “Reino de Maria”. A chegada do Padre Vigário foi uma beleza felliniana como as “Noites de Cabíria”. De um caminhão, desceram o novo vigário, a madre fundadora do Reino de Maria, umas noviças, duas vacas holandesas e muitas galinhas.

Em janeiro de 1958, lançou-se a pedra fundamental da nova Igreja. Um templo semi-classico, amplo, desenhado pelo Padre Vicente, dehonista, residente em Corupá. Essa planta foi buscada por Antonio Guglielmi, filho de José "Bépi" Guglielmi, mais tarde deputado estadual.

O povo da cidade construiu a sua matriz em onze meses, visto que no dia 14/01/1959, este amanuense devia rezar a sua primeira missa. Alem da Igreja, nos quatro anos de pastoreio do Padre Francisco, o povo construiu o colégio-convento para as irmãs, gratuitamente. Estas pobres de Javé, quando se foram, venderam o convento e lavaram todos os despojos. Padre Francisco e as irmãs sempre tiveram lutas intestinas, canônicas, com todos os bispos onde quer que tenham fixado domicilio.

A Madre fundadora era uma mulher de poucas teologias e de poucas letras. Ela mandava e desmandava no convento, no padre e no rebanho de Deus. No convento ainda se usava palmatória para educar as noviças rebeldes. Com a morte da Madre, o “Reino de Maria” começa a agonizar. Hoje já não existe mais. Padre Francisco Korner, na casa dos oitenta, voltou para Viena onde era confessor de uma Igreja. Veio a falecer em 1995 na Áustria.

No dia 01/01/1962, toma posse da Paróquia o Padre Luiz de Souza Ávila, filho de Jaguaruna. Um Padre diocesano que nunca deixou de pensar em ser Frade. Delgado, rigoroso, esse Padre que nunca se fez Frade, paroquiou em mais de uma dezena de Paróquias daqui e de fora. Menos liberal que Padre Francisco, imprimiu firmeza e até rigor na condução do seu rebanho. Fundou um numero exagerado de associações religiosas. Após sua partida todas as associações se extinguiram. Padre Luiz, com a saída do Padre Francisco e da Madre Tereza, tornou-se preposto defensor do “Reino de Maria”. Durante anos tentou salvar a Congregação da conjura da morte. Fadada a morrer, coube ao dito sacerdote dar o Santo Viático.  Padre Luiz de Souza Ávila, foi quem deu inicio a construção da Casa Paroquial de Morro da Fumaça-SC, no dia 03/04/1963, o pároco passou a morar na nova residência, tendo terminado a construção somente no fim do ano de 1964.

No dia 02/01/1966, da Paróquia da Próspera chega o Padre Júlio Wiggers, que foi por dois anos o cura mais democrático da Paróquia. Era um homem de muita paciência, humanidade, humor, versatilidade. Em fins de 1967 desiste de ser vigário e desiste do sacerdócio.

Dia 01/01/1968, toma posse o Padre Ludgero Waterkemper. Um homem que sempre teve voto cativo para Plínio Salgado. Era uma dos homens mais lidos da Diocese. De fala calma, mansa e serena, grande construtor, ergueu o grande Salão Paroquial de Morro da Fumaça. Muito estimado pelo povo, deixou gratas recordações em todos os fumacenses, vindo a falecer aqui mesmo em Morro da Fumaça, onde está sepultado.

No dia 01/01/1974, toma posse o Padre Jorge Daros egresso do magistério de São Ludgero, onde se tornou muito estimado pela juventude de lá. Padre Jorge, por razões muito pessoais, tendo explicado com clareza ao seu povo, desistiu do sacerdócio.

Assume o Padre José "Zezinho" Cipriano, auxiliado pela comissão da Matriz, conclui as obras da construção do Salão de Festas.

Fonte: "Crônicas da Diocese de Tubarão". Padre Claudino Biff.

Na História

O primeiro médico a se instalar no município foi o Dr. Laerson Nicoleit.
O primeio pároco nomeado foi o Padre Francisco Koerner, de nacionalidade austríaca. A comunidade religiosa era até então atendida pelo Cônego João Dominoni, que já doente pediu seu afastamento.
O primeiro presidente da Câmara de Vereadores foi Fernando Zanatta, que hoje possui um busto e uma praça erguidos em sua homenagem.
 

 Fontes: "Morro da Fumaça, Passado e Presente". Ide Maria Salvan Maccari.

"Imigração Italiana". Mons. Agenor Neves Marques.

"Morro da Fumaça e sua Divina e Humana Comédia". Padre Claudino Biff.

"Crônicas da Diocese de Tubarão". Padre Claudino Biff.

 

* Eram os carijós índios dóceis, trabalhadores e bem intencionados. Pertenciam ao ramo Guarani e efetuaram uma marcha migratória do Paraguai para o sul do litoral brasileiro.

* Dona Teresa Cristina Maria de Bourbon Sicílias e Bragança, foi a terceira e última Imperatriz do Brasil, foi a esposa do imperador Pedro II, com quem casou-se em 4 de setembro de 1842.

fonte: www.morrodafumaca.sc.gov.br



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